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sábado, 24 de agosto de 2013

CULTURA | Núcleo museológico dos cabos submarinos «já não vai com amigos!»

O Grupo dos Amigos da Horta dos Cabos Submarinos assinalou o 120.º aniversário do lançamento do primeiro cabo submarino na ilha do Faial com um colóquio na Biblioteca João José da Graça

O movimento de «resgate do esquecimento da importância histórica do tempo dos cabos submarinos», como o classificam os seus promotores, iniciou-se há quatro anos e partiu de antigos «cabografistas» que se organizaram no Grupo dos Amigos da Horta dos Cabos Submarinos em parceria com a Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta.

Na sexta-feira, 23 de agosto de 2013, aconteceu mais uma iniciativa do grupo, que assinalou o lançamento do primeiro cabo submarino na ilha do Faial, que foi amarrado na praia da Conceição, no extremo norte da cidade da Horta.

Tratou-se de um colóquio em que intervieram diversos participantes destacando a importância de envolver as gerações mais novas neste movimento, através da escola, nomeadamente.

A transformação da Trinity House, onde hoje funciona a Escola António José d'Ávila e que é um edifício emblemático do tempo dos cabos submarinos, num núcleo museológico foi alvo de uma das mais importantes intervenções dos participantes.

O historiador faialense, editor do Boletim do Núcleo Cultural da Horta, investigador em diversas universidades portuguesas, nomeadamente na dos Açores, Ricardo Madruga da Costa, disse na ocasião que a criação e instalação do núcleo museológico tem que ter um suporte institucional. «Isto já não vai com amigos!», exclamou.



Ricardo Madruga da Costa lembrou que o governo regional prometeu, através da secretária da cultura, no mandato anterior, a entrega da Trinity House ao Grupo dos Amigos da Horta dos Cabos Submarinos e exigiu que agora seja explicitada a forma como o irá fazer.

Outros dos intervenientes no colóquio chamaram a atenção para a necessidade de não se pensar apenas no que é preciso fazer no futuro, mas também no que pode ser feito de imediato, referindo-se à recuperação dos artefatos que existem no Faial e que pertenceram às companhias dos cabos.

Significativa presença para resgatar os cabos submarinos do esquecimento
Henrique Barreiros preside à Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta
Plateia atenta no auditório da Biblioteca João José da Graça na Horta
Henrique Barreiros tem sido um paladino desta causa
Faialenses residentes e outros de passagem entre os participantes
Henrique Barreiros falou na sessão de abertura no seu estilo entusiasmado
A memória dos cabos submarinos desperta interesse
Descendente de um antigo «cabografista» no uso da palavra
José Duarte da Silveira é uma figura de relevo entre os «cabografistas»
A assistência com um perfil eclético
Ricardo Madruga da Costa: «Isto já não vai com amigos!»
A «quota feminina» foi largamente ultrapassada
Carlos Silveira, antigo «cabografista» e um dos faialenses mais interessados
A importância de preservar o património atrai a atenção

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

CULTURA | Cabo submarino faz 120 anos

O Grupo dos Amigos da Horta dos Cabos Submarinos promove amanhã uma jornada de comemoração do lançamento do primeiro cabo, na praia da Conceição

Foi há 120 anos. Esta iniciativa surge no momento em que os antigos «cabografistas» dão por concluída o que consideram ser a primeira fase do movimento de reabilitação da memória e do património desse tempo.

O contributo do trabalho realizado nos últimos quatro anos por este denominado movimento cívico pode resumir-se no resgate do esquecimento, na sociedade e nas instâncias políticas, da importância histórica do tempo dos cabos submarinos e na recuperação de diferentes tipos de património, especialmente tecnológico, de telegrafia submarina.

No dia de amanhã, principalmente durante um colóquio, deverão ficar definidas as linhas de atuação futuras do movimento, que tem o suporte da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta. Em causa está nomeadamente o destino a dar à Trinity House, que o governo anterior destinou exatamente para ser ocupada pelo museu do cabo submarino, onde poderá vir a ser instalada uma exposição do equipamento, agora recuperado, e que foi utilizado durante anos naquelas próprias instalações.

Há 120 anos o cabo foi lançado nos Açores para resolver o abandono em que se encontravam as comunicações com o arquipélago. A partir daí assistiu-se ao crescimento do número de cabos, que chegou a 15, com uma diversidade de destinos assinalável.


Cabo submarino «amarrado» na praia da Conceição, na Horta, há 120 anos 
[fotografia: direitos reservados]


[Escrito por Rui Gonçalves e publicado na edição do jornal Incentivo de quinta-feira, 22 de agosto de 2013]