quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

OBITUÁRIO | Rúben Rodrigues morre poucos dias depois de lançar o seu mais recente livro

No penúltimo dia do ano, cerca das 19h30, no Hospital da Horta, onde fora internado na véspera, faleceu Rúben Rodrigues, que hoje foi a sepultar

Rúben Rodrigues, no dia 6 de janeiro de 2010, falando, presumivelmente,
no 87.º aniversário do Atlético, clube a cuja direção presidiu [fotografia: direitos reservados]


Rúben Rodrigues faleceu aos 79 anos de idade. Tinha nascido a 16 de novembro de 1934, na cidade da Horta. Foi professor, jornalista e autarca. Há pouco mais de duas semanas lançou o primeiro volume da obra "Ilha do Fayal - Século XX - Nótulas Históricas sobre as suas principais crises sísmicas".

Formado pela Escola do Magistério Primário da Horta lecionou no Faial, Pico e Terceira. Em 1966, quando ainda se encontrava na Madalena do Pico, entrou para a Fundação Calouste Gulbenkian. Já no Faial tornou-se conhecido e popular através do seu trabalho na biblioteca itinerante da Gulbenkian.

Iniciou-se na política ainda antes do 25 de Abril desempenhando o cargo de vereador na Câmara Municipal da Madalena. No Faial, após a Revolução dos Cravos, fez parte da comissão administrativa da Câmara Municipal da Horta. Em 1993 candidatou-se como independente nas listas do PS à Assembleia Municipal da Horta, órgão a que presidiu. Foi mandatário na ilha do Faial da recandidatura de Mário Soares à Presidência da República.

Presidiu à Direção do Angústias Atlético Clube.

Na imprensa dirigiu durante largos anos o diário O Telégrafo, de onde saiu no ano em que o matutino atingiu o centenário e mudou de propriedade. Também esteve à frente do diário Correio da Horta. Colaborou com diversos jornais, com a rádio e com a televisão.

Oficial da Ordem de Mérito, distinção atribuída pelo presidente da República Jorge Sampaio, foi também agraciado pelo município da Horta por causa do seu papel no jornalismo, em que se destacou na defesa do que considerava ser os interesses da ilha do Faial, uma causa na qual se empenhou num firme combate.

Para além do primeiro volume da obra "Ilha do Fayal - Século XX - Nótulas Históricas sobre as suas principais crises sísmicas" (respeitante ao terramoto de 1926), atrás referido, é autor de "Nascido do Magma", "O Professor" e "Macau - O último baluarte".

Estava na sua mente, de acordo com o jornal Tribuna das Ilhas, concluir o segundo volume de "Ilha do Fayal - Século XX - Nótulas Históricas sobre as suas principais crises sísmicas", sobre os sismos de 1957, 1973 e 1998 e escrever a continuação de "Nascido do Magma", que intitularia "América! Utopia e Realidade".

No site adispora Victor Rui Dores escreveu: "Desde que, há já alguns anos deixou os jornais, sentia-se a presença invisível de Ruben Rodrigues nas suas deambulações entre o Faial e o Pico. Alguns julgavam que ele estaria a fazer uma longa travessia no deserto. Enganaram-se. Afinal, Ruben Rodrigues vinha escrevendo-se e escrevendo-nos."